Custo de Oportunidade da Vida



Custo de Oportunidade da Vida

Conceitos Básicos

Os nossos principais recursos são o tempo, a nossa força laboral (ou corpo), a nossa inteligência e o produto de tudo isso, que é o dinheiro que fazemos ou os nossos bens.
Nós passamos a vida toda a explorar esses recursos mais ou menos finitos, da mesma forma que passamos a vida a explorar os recursos da terra, não passamos de exploradores de nós mesmos. Portanto existem certos conceitos económicos que podem ser úteis na gestão da nossa vida e da nossa pessoa, um desses conceitos é o Custo de Oportunidade.


Custo de Oportunidade

É um conceito com premissas simples mas que se torna um pouco complexo. É possível até ser expresso em números. O que nos importa aqui é perceber o conceito para aplicá-lo na gestão da nossa vida.
Sendo assim custo de oportunidade de uma coisa ou actividade é simplesmente a principal alternativa à essa coisa ou actividade. Nada mais do que isso, a alternativa, quando assistimos um mau filme no cinema ficamos revoltados pelo tempo perdido e dizemos algo como eu poderia ter ido ao Concerto, esse é o custo de oportunidade de termos ido assistir ao filme, é pudermos em vez disso ter ido ao concerto. Tudo que fazemos tem uma alternativa, tudo que fazemos tem um custo de oportunidade. Portanto toda a nossa actividade tem um valor quando comparada com uma outra actividade que poderíamos estar a fazer.
Falamos aqui de valor, de custo, mas qual é a moeda. A moeda é o tempo que temos para gastar na nossa vida. Sempre que escolhemos assistir uma série televisiva em vez de ler um livro, estamos a pegar no nosso valioso tempo e a gastá-lo com a série televisiva e vice versa. Aquele tempo não nos será devolvido, mas o que importa, temos muito tempo! Na verdade não, um dia estamos velhos de mais, um dia morremos. O tempo é um recurso finito, o tempo acaba e por isso ele deve ser bem valorizado, por isso ele é valioso. Uma tarde passada entre quatro paredes podia ser uma tarde passada fora de casa. O nosso tempo é valioso, os nossos recursos são valiosos, não espere até lhe dizerem que tem um mês de vida para começar a valorizar o seu tempo e a usá-lo bem, não espere até ficar paralítico para querer fazer bom uso do seu corpo, não espere até ter alzheimer’s ou uma outra doença digenerativa para valorizar a sua inteligência e a sua memória. Tudo isso é valioso, o seu tempo, o seu corpo, a sua inteligência, use, gaste sabiamente. Todos nós somos milionários, temos esse mundo de recursos que é a vida. Todos nós já pensamos em como gastaríamos o nosso dinheiro se fossemos milionários, tá aí, gaste bem os seus milhões de minutos, uma vida de 80 anos são mais de 42 milhões de minutos. Uma fortuna de 42 milhões e ainda por cima gastar à toa e estar infeliz! Não.

Exemplo de Custo de Oportunidade

Como vimos custo de oportunidade é a melhor alternativa que temos a uma nossa actividade ou acção. É simplesmente isso, a alternativa. Imagine que temos duas opções para férias, Dubai ou Paris e decidimos ir à Dubai então o custo de oportunidade da escolha que fizemos (nesse caso ir à Dubai) é ir à Paris. Ou seja fomos à Dubai e isso é muito bom mas isso custou-nos não termos ido à Paris. Se temos duas opções para passar uma tarde de Domingo e entre elas estão ir ao cinema ou dar um passeio a praia, e escolhemos ir ao cinema então o custo de oportunidade de ter ido ao cinema é poder ter ido dar um passeio à praia. Gostamos da Maria e da Juliana e só podemos casar com uma, o custo de oportunidade de casar com à Maria é não casar com a Juliana. Se temos duas opções em que uma delas é ficar em casa a descansar depois de voltar do trabalho ou arranjar um segundo emprego com um bom salário e escolhemos ficar em casa a descansar então o custo de oportunidade de ficar em casa a descansar é o segundo emprego que poderíamos ter, ou por outras palavras o nosso descanso é tão valioso como um segundo emprego com um bom salário e vice versa - um segundo emprego com um bom salário é tão valioso quanto o nosso descanso.
Daqui vê-se claramente que o custo de oportunidade é totalmente subjectivo e varia consoante vários factores, mas principalmente cosoante aquilo que nos apetece, por isso nunca podemos chegar à uma pessoa e dizer Puuxas tu estás aí a desperdiçar a tua vida a entrar na escola de artes enquanto isso custa-te não poderes ir a escola de economia, isso vai-te sair muito caro! Tu poderias fazer muito dinheiro estudando economia.
A verdade é que para aquela pessoa, estar na escola de artes é muito mais valioso que estar na escola de economia. Contrariamente ao que podemos pensar isto vai muito além do dinheiro, o custo aqui mede-se pelo grau de felicidade que podemos alcançar, para a tal pessoa, uma vida de artista é uma vida de felicidade, uma vida completa e um curso de economia mesmo que com garantia de um emprego no maior banco do mundo, com um salário astronómico, nunca, mas nunca vai igualar aquela vida de artista para essa pessoa.
Portanto este custo de oportunidade de que falamos não é uma ciência exacta, aqui estamos a fugir do conceito de custo de oportunidade da economia, porque não vamos consultar um economista e dizer-lhe analisa-la a minha vida e calculá-la o custo de oportunidade de uma carreira de direito ou de economia para eu saber o que devo seguir. Isso não funciona, só funcionaria se o único objectivo na nossa vida fosse ganhar dinheiro, porque se assim fosse o economista poderia vir dizer-nos por exemplo que no mercado actual os salários das profissões relacionadas aos cursos de economia estão mais baixos aos salários em relação aos cursos de direito, portanto o melhor é seguires direito e assim serás mais rico.
Mas aí falta a componente humana, claro que todos nós queremos dinheiro mas dinheiro não é a base para a vida de ninguém. Dinheiro não é um fim, é um meio. Porque até o dinheiro tem um custo de oportunidade, ou seja se deixamos de fazer o que gostamos para ir atrás do dinheiro então todo o dinheiro que conseguimos vai estar avaliado em todas as nossas paixões que deixamos para trás de modo a poder amealhar esse dinheiro.
Suponhamos por exemplo que um escritor talentoso e absolutamente apaixonado pela arte de escrever decide abandonar a escrita e ir tirar um curso de economia. Toda essa vida de contabilista, as pessoas que ele conhece, a mulher que ele tem, os seus familiares, o mundo em que ele vive, tem um custo de oportunidade, tem uma alternativa que é a vida de um escritor que luta para alcançar sucesso, uma vida incerta, um mundo incerto e um universo literário, uma vida amorosa diferente, um eu diferente, maneiras diferentes de vestir, de valorizar a vida e o dinheiro.
O que vamos dizer, que seguir a vida de contabilista é mais fácil e que esse indíviduo deve simplesmente abafar a escrita! Loucura! A arte é o que de mais belo existe no universo, e não há dinheiro no mundo que compra isso.
Mais enfim o que se pretende aqui não é dizer que todos deviamos ser artistas ou ir atrás da vida do artista, porque primeiro para ser-se artista é necessário talento fora do comun, talento realmente extraordinário, e isso é extremamente raro. O que se pretende aqui é mostrar que a moeda em causa nesta coisa de custo de oportunidade não é o dinheiro mas sim o nosso precioso tempo de vida, as paixões humanas.
E isto é muito importante porque uma vez percebido isso a nossa vida torna-se muito mais simples. A mais valiosa moeda que existe é o tempo e as paixões humanas são a melhor mercadoria que essa moeda pode comprar.

Custo de Oportunidade Aplicado à Vida

Como vimos os nossos principais recursos são o tempo, a nossa força laboral (ou corpo), a nossa inteligência e o produto de tudo isso, que é o dinheiro que fazemos ou os nossos bens.
Todos os momentos devemos viver a saber que temos a nossa moeda para gastar, que temos paixões humanas para satisfazer. Em todas as nossas actividades devemos saber que há um custo de oportunidade envolvido, uma alternativa. Devemos sempre nos perguntar “será que eu não poderia estar a fazer algo melhor neste momento?”
Isso é muito importante.
Mas lembrem-se o custo de oportunidade é subjectivo portanto muitas vezes podemos não estar a fazer algo valioso para nós mas estarmos a fazer algo valioso para uma pessoa que gostamos muito e justamente por isso, isso torna-se valioso para nós.
Mas existem casos em que estamos infelizes, claramente infelizes e sabemos que poderíamos estar felizes se optassemos pela alternativa mas não fazemos nada. Por exemplo uma mulher que vive com um homem que ela não ama e que está apaixonada pelo colega de trabalho que já lhe ofereceu garantias de que lhe faria feliz e ficaria com ela no instante que ela se separasse do marido.
“Eu estou aqui com esta pessoa e nem sorrio” – diz ela – “e nem sou feliz mas se eu estivesse com aquela outra pessoa que também me quer loucamente eu estaria a sorrir e estaria feliz todos os dias, todos os momentos.”
É nestes casos que ter uma noção clara de custo de oportunidade ajuda, porque se estamos 100% certos de que a alternativa é melhor e nos deixará mil vezes mais felizes, não há razão para exitar.
O objectivo da vida é ser feliz, é satisfazer as nossas paixões humanas, aquelas que conhecemos e as que desconhecemos. Se tu estás infeliz e podias estar feliz então estás a ir contra a natureza humana.  Nosso corpo é um parque de sensações prazeirosas a espera de serem satisfeitas. É o ego, é a libido, são os sentidos, todos eles estão a espera de ser satisfeitos. Nosso ser é uma religião do amor à espera de ser espalhada.
A felicidade é subjectiva. Cada um de nós responde a pegunta o que é ser feliz de forma diferente.
O custo de oportunidade diz-nos que tudo tem um preço porque estamos todos sentados em cima de uma mina de ouro, o tempo que nos foi dado para viver, esses 80 anos, esses 42 milhões de minutos que se gastam automaticamente se não os usarmos. Devemos empregar esse tempo da melhor maneira enquanto ele passa, a partida devemos saber que um terço desse tempo vai para o imposto do sono.
Se o custo de oportunidade diz-nos que tudo tem um preço então podemos dizer que quanto mais dinheiro ganhamos devido ao trabalho mais trabalho ganhamos devido ao dinheiro. E quanto mais trabalho ganhamos devido ao dinheiro menos tempo temos para gastar esse dinheiro. A melhor pessoa para gastar o dinheiro de um milionário é um desempregado. Por isso é necessário amar o trabalho que fazemos de forma que quanto mais trabalhemos mais felizes sejamos e mais dinheiro ganhemos.
Trabalho satisfatório por uma quantidade razóavel de tempo por uma quantidade suficiente de dinheiro e viver dos prazeres simples e impagáveis da vida, constituir família com uma pessoa que além de nos amar tenha um espiríto similar ao nosso, eis a definição de uma vida feliz.
O que é mais extraordinário de tudo isto é que o dinheiro aqui, o tal que faz girar o mundo, é apenas uma variável porque aquilo que realmente faz girar o mundo é a maior moeda do mundo, o nosso tempo de vida na terra, que nos torna à todos milionários.

Como Beneficiar-se do Conceito de Custo de Oportunidade

Planejando.
Seja como uma empresa, como um município, como um país que planeja as suas actividades para todo um ano ou para os próximos 5 anos.
Planeje.
Planeje os seus fins de semana, as suas férias, planeje visitas à locais que gosta, saídas, encontros, convívios familiares.
Saiba o valor do tempo livre. Um fim de semana é uma mala cheia de dinheiro, não desperdice os seus fins de semana a fazer nenhum, não desperdice os seus fins de semana a espera do tempo passar. Planeje muito bem os seus fins de semana, talvez este fim de semana dê um passeio a praia, talvez o próximo vá visitar um familiar, planeje essa visita com a pessoa.
Férias são como ganhar a lotaria. Faço uso máximo das férias, trabalhou quase um ano para ter essas férias. Planeje com antecedência cada minuto-ouro das suas férias. Dê um banquete aos seus sentidos sedentos de sensações prazeirosas.
Valorize o tempo, valorize a vida.

Não Desperdice o seu Tempo de Vida

(Extraído do meu livro de auto-ajuda Conselhos e Lições para a Vida)
O tempo é a principal matéria prima para a vida, não a vida com a qual nascemos, mas aquela que construímos. Aquela que projetamos e desenhamos com os nossos planos, ideias e projetos. Se a natureza e o mundo são o meio onde o nosso corpo vive, então o tempo é o meio onde a nossa mente existe. Pois a nossa mente respira o tempo e faz tudo dentro dele.
Gerenciar o tempo é uma arte de que poucos conhecem o segredo. Não se gerencia o tempo apenas ao nível da hora, do dia, dos pequenos planos, dos grandes projetos, mas também ao nível da vida que vivemos até ao momento da morte.
O tempo é ao mesmo tempo diverso e único. Ele não volta e volta sempre. A nossa infância já se foi, não volta mais. O primeiro dia de escola, por mais emocionante que tenha sido, pertence agora ao passado, o nosso ex-namoro, o nosso falecido conhecido, não voltam mais. O tempo deve ser aproveitado, cada segundo vivido sem arrependimento. Devemos fazer sempre o que achamos certo e o que vai de acordo com a nossa personalidade. O tempo de expressar um certo sentimento acaba, se temos algo a dizer devemos dizer antes que a oportunidade passe, há coisas que só poderemos fazer uma vez ou a uma certa hora de um certo dia, num certo momento. E há coisas que podemos fazer sempre. Devemos sempre dar prioridade as coisas escassas, porque não teremos muitas dessas.
As coisas acabam, as pessoas morrem, o mundo não estará aqui para sempre, até uma estátua pode deixar de existir, até um museu pode não estar disponível daqui a algum tempo. Corra para ir ver as coisas excepcionais, o músico maravilhoso sobre o qual toda a gente fala, o incrível contador de piadas, o maravilhoso improvisador de jazz, a maravilha que ele vai fazer hoje, nem ele mesmo poderá fazer amanhã.
O tempo é tudo. Um dia ele vai acabar. A velhice chega, doenças terminais acontecem, o seu médico pode dizer-lhe que só tem 2 meses para viver, ou quem sabe pode estar dentro de um automóvel à segundos de embater-se com um outro e advir daí a sua morte. O tempo não será seu para sempre, o seu corpo esse sim vai ficar aqui na terra a apodrecer, mas a sua mente só tem algumas décadas para viver.
Alimente a sua mente, encha-se de conhecimentos, trate bem as pessoas, seja culturamente activo, valorize a sua comunidade, esteja grato pelo tempo que lhe é dado e retribua fazendo bom uso dele. Prove que merece estar vivo. Não se arrependa, não rogue à Deus por mais dias de vida, o tempo que tem é esse e precisa ser bem usado. Não desperdice o seu tempo. Faça história com ele. Aproveite cada segundo que lhe é dado, e nos dias maus, lute e acredite em dias melhores.

Stélio Inácio
No livro gratuito Viva Melhor