O ciúme embriaga,
e nada, nem mesmo whisky puro, embriaga tão rapidamente como o ciúme.
Sempre que
sentires ciúme toma cuidado, um pouquinho certamente não faz mal e apimenta a
relação, um pouco torna-te pegajoso, muito torna-te insuportável e demasiado
torna-te um bébado alcoolatra, um doido varrido.
O ciumento é um
alcoolatra porque ele não tem domínio sobre os seus próprios sentidos, enxerga
dois quando é um, é um caso perdido, um espectáculo triste e miserável para
quem o assiste e uma completa vergonha para a pessoa amada.
O ciúme quando é
pouquinho é recomendável, não só porque é uma forma de mostrar afecto mas
também porque é uma forma saudável de policiamento, uma forma de conseguirmos o
respeito que merecemos. Agora o ciúme exagerado é um problema, uma doença. Não
é um problema do teu parceiro, é um problema teu.
O ciúme exagerado
é possessivo, mas a verdade é que nós não podemos ser donos de ninguém além de
nós mesmos. Isto não quer dizer que é fácil deixar a pessoa que amamos andar
por aí sem estarmos a exercer uma ou outra forma de controlo.
Não sufocar a
pessoa que amamos com ciúmes não é um favor que estamos a fazer à essa pessoa,
mas a nós mesmos.
O ciúme
enfurece-nos, martiriza-nos, embriaga-nos, destrói-nos. O ciúme acaba
completamente connosco.
Lembrem-se não há
vergonha em ser traído e enganado, a vergonha é só de quem trai. Nós nunca
podemos controlar a acção dos outros, da pessoa que amamos, do desconhecido da
esquina, e quando essas acções provocam em nós um ciúme exagerado, nós somos os
únicos que saímos prejudicados.
Não se deixe
nunca entregar ao ciúme e tudo começa por ser capaz de admitir.
Olá, meu nome é
Stélio Inácio e eu sou ciumento, este é o meu primeiro dia sem ciúmes
exagerados em relação a minha namorada Lucha.
Stélio Inácio
Crónica do dia
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