A falta
total de dinheiro numa sociedade capitalista traz infelicidade e uma constante
luta pela sobrevivência: é necessário dinheiro para comprar produtos de
primeira necessidade. Mas depois disso não há assim muito que o dinheiro pode
fazer.
A
felicidade é subjectiva e genética. Existem pessoas felizes por natureza e
existem pessoas tristes.
Logo após ganharmos
a loteria, vamos entrar numa euforia e numa felicidade temporárias que podem
durar algumas semanas ou meses, nesse tempo vamos comprar novos aparelhos, a TV
Flat Screen, o apartamento de dois andares, o novo BMW, os aparelhos
electrónicos mais avançados do mundo. Mas depois de alguns meses vamos
rapidamente ajustar-nos a posse de tudo isso. A TV flat screen, não importa
quanta qualidade tenha, não passa simplesmente de uma TV onde vemos informações
do jeito que víamos antes, o BMW, ele só serve para nos transportar, depressa
vamos nos habituar aos elogios que as pessoas fazem quando nos vêem com ele na
rua, a casa, não importa quão bela ela seja, ela não passa de um objeto, de uma
casa.
Os seres
humanos tem um estado de felicidade próprio e natural e vão sempre voltar a
esse estado, não importa que consigamos o carro dos nossos sonhos, basta
convivermos todos os dias com ele vamos nos habituar à ele e toda a novidade
perde-se.
Afinal
porque as pessoas traem? Tudo enjoa, tudo perde a novidade.
Tudo isso é
causado por um fenómeno que os psicólogos chamam de Adaptação Hedónica, onde a
palavra hedónica é relativa ao prazer. Esse fenómeno é a tendência que os seres
humanos tem de depressa voltarem a um estado estável de felicidade apesar de
grandes mudanças na vida deles, quer negativas, quer positivas.
Portanto
para alguém que acaba de ganhar a lotaria manter-se feliz, teria que estar a
comprar um BMW todo o mês, ou uma nova casa, ou Iates, ou a fazer viagens, o
que faz com que a maioria deles depressa tenham de declarar falência.
Mas como se
isso não fosse suficiente, o vencedor de lotaria ainda sofre outros problemas.
As pessoas não vão reconhecer que ele ganhou aquele dinheiro de forma justa. Os
ladrões portanto vão se sentir justificados ao quererem roubá-lo o que vai
fazer com que ele sofra muitas tentativas de roubo, a família dele vai exigir
que ele partilhe o dinheiro com eles, e tudo que as pessoas faziam de graça
para ele agora vão querer fazer por um preço, a vida dessa pessoa vai estar em
risco. E há ainda o caso de pessoas que não vão importar-se com a riqueza dele
e que vão simplesmente querer afastá-lo das suas vidas, nunca mais quererão
amizade ou conversa com ele, por se sentirem inferiores e em uma outra classe
social em relação à ele.
Depressa
essa vitória, esse bilhete de lotaria vencedor, torna-se num incrível pesadelo.
A
felicidade está conosco, dentro de nós. É a forma como encaramos a vida, como
encaremos as pessoas e os acontecimentos. Não são objetos que vão nos fazer
felizes, objetos são úteis e facilitam a nossa vida mas eles nunca vão garantir
a nossa felicidade. Podemos perder a nossa casa hoje com tudo lá dentro e ainda
virmos a viver uma vida cheia de felicidade.
Evite ir
atrás de objetos, vá atrás de experiências. Um grupo de psicólogos fez um
estudo e chegaram a conclusão de que as experiências proporcionam uma
felicidade mais duradoura em relação aos objetos. Experiências como Concertos
ao vivo, viagens, Idas a Restaurantes, Cinemas, Teatros, etc., proporcionam um
prazer duradouro, porque as podemos reviver na memória.
Viva e faça
coisas úteis que vão de encontro a sua personalidade, nada é melhor do que
fazermos aquilo que gostamos de fazer, nada é melhor do que organizarmos toda a
nossa vida em volta da nossa paixão, seja ela qual for. Devemos viver para nós
mesmos e não para os outros. A vida é só uma. Trabalhe e faça o suficiente para
sobreviver e ter uma vida decente, o resto tem pouco valor, não passa de
caprichos.
Resumindo:
Se quiser ser feliz esteja em paz consigo mesmo, porque tem que conviver consigo
365 dias por ano, 24 horas por dia. Nós somos a maior fonte da nossa
felicidade, e saiba que os objetos, não importa que objetos, não importa quanto
os deseje, não vão trazer nenhuma felicidade absoluta; eles são apenas coisas
com as quais vai se acustumar e que não lhe trarão nenhuma novidade. As
experiências como viagens e saídas, são muito importantes porque são duradouras
e cultivam o seu espiríto tornando-lhe mais esperto e inteligente.
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Fontes: Wikipédia, Hedonic Adaptation
Khaterine Valentino, Why doesn’twinning the lottery make a person happy
Stélio Inácio
365 Dias de Literatura – Uma Crónica Literária Por Dia
Crónica N° 159
06.01.2012
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