10 Razões para o Sexo


razões para fazer sexo
  
Entram dois personagens, um jovem entre os seus 24-25 anos e uma jovem com os seus 23 anos de idade. A cena passa-se no quarto do jovem, este contém uma cama, uma mesa de cabeceira, um guardafato e um sofá bem como outros objectos.

Personagens:
Paulo
Vera


Cena 1
(Entram Paulo e Vera)
Paulo: Podes entrar, Este é o meu cubículo. (Quando Vera entra, Paulo esfrega as mãos em sinal de contentamento)
Vera: Obrigada. (Vera dirige-se ao sofá. Paulo atira-se a cama)
Paulo: O que achas do meu quarto.
Vera: Já vi piores. É bom, és bem arrumadinho, eu tenho uns primos que não valem a pena. O quarto deles é todo desarrumado, até parece que dormem numa pocilga.
P: O meu tá mais para um galinheiro?
V: Não… Eu diria que está mais para… para um quarto.
P: De gente fina?
V: Nem tanto…
P: Aié?
V: De gente arrumada.
(Faz-se um silêncio momentâneo, Paulo mostra-se apreensivo e depois levantando-se da cama aproxima-se de Vera tentando beijá-la)
V: O que é isso?
P: O que tu achas que é?
V: Abuso de confiança.
P: É só um beijinho.
V: E depois outro e mais outro, eu sei onde tudo isso vai acabar.
P: Aié. Então vamos até ao fim, eu acho que vamos dar a um bom sítio.
V: Não obrigada. Não estou interessada.
P: Eu só quero te tocar.
V: Agradeço o interesse.
P: Esses teus lábios, estão a pedir para ser beijados.
V: Olha para os meus lábios.
P: Ai! Como são lindos.
V: Não queremos ser beijados. Ouviste bem o que eles disseram.
P: Eles mentem.
V: Trouxeste-me aqui para isso. Insististe tanto para eu conhecer tua casa só para me levares para o teu quarto.
P: O.k, serei sincero contigo, eu quero-te, eu desejo-te, quero te beijar, te agarrar, fazer amor contigo, sou louco por isso.
V: Mas também tens de ter em conta o que eu quero. E eu não quero fazer nada disso.
P: és frigida?
V: Não, não sou; apenas não estou interessada em ti. Se eu estivesse interessada em ti, durante todo este tempo que estivemos a falar, estariamos a fazer outras coisas.
P: Achas que não posso conseguir te satisfazer.
V: Talvez, porque não!? Quem te garante que só porque tu és homem podes conseguir me satisfazer? Quem te garante que só porque tens isso entre as pernas sabes usar!?
P: Eu deixaria-te totalmente louca, faria-te coisas que tu nem imaginas.
V: E essas coisas achas que nunca fiz antes.
P: Nunca fizeste comigo.
V: Esse é o único motivo para nos deitarmos na cama então?
P: É um bom motivo.
V: Não é.
P: Deixa-me colocar um pouco de música.
(Paulo coloca música)
V: Achas que R. Kelly vai-te ajudar?
P: À mim não, eu não preciso de ajuda, tu é que precisas. O que achas do meu abdómen, perfeito 6 pack, queres tocar?
(Paulo tira a camisa)
V: Não obrigada.
P: Não queres um abraço.
V: Não, estou com muito calor.
P: Estás a vontade para te despir, sinta-se em casa.
V: Gosto de ficar vestida.
P: Eu vou te explicar o que está a acontecer. Tu me queres tanto quanto eu te quero só que sentes vergonha de te entregares porque achas que eu vou achar que tu és uma mulher fácil e não vou te valorizar. Tás louca para me tocar, tás morta para me beijar, queres tanto deitar-te naquela cama como eu só que estás a perder tempo a brincar de princesinha inocente. Eu quero-te a muito tempo e não precisas de agir assim, tu és absolutamente linda e sempre te quis, porquê vamos perder tempo.
V: Eu não sou nenhuma princesinha, perdi minha virgindade a muito tempo. Apenas não estou interessada em ti e não vejo nenhuma razão para me deitar contigo. É tão simples quanto isso.
P: O.k, já que queres apelar à razão, eu vou te dar 10 razões para nos deitarmos na cama agora. Primeiro: Porque não? O que perdemos? Estaremos apenas a fazer amor, a desfrutar de prazer, eu pego-te, tu me pegas e depois vai cada um para o seu lado.
V: Porque não? Porque não me sinto atraída por ti e não tenho razões para acreditar que será satisfatório para mim fazer amor contigo.
P: Eu te garanto que será satisfatório
V: Não me sinto atraída por ti e se eu fosse a acreditar na palavra de todos os homens que querem me levar para cama, a minha vida seria só acordar e ir de casa em casa.
P: O.k, tem uma segunda razão. Suponhamos que o mundo acabe amanhã…
V: Essa é boa. Essa todos usam. Se o mundo acabasse amanhã achas que eu quereria passar o dia de hoje a fazer amor contigo?
P: É uma boa forma de passar o último dia na terra.
V: Não obrigada.
P: Tem a terceira razão. Estudos científicos, e totalmente científicos, feitos pelas maiores Universidades do mundo afirmam que o sexo faz muito bom para as pessoas, a nível psicológico e fisico. Ele é muito bom e  causa um relaxamento geral. Eu como sou um bom amigo e sempre me preocupei contigo, estou disposto a ajudar-te nessa terapia sexual. Não precisas me dar nada por isso, faço por pura amizade. Então o que achas, vamos para cama?
V: Eu não duvido da ciência.
P: Ufff… Ainda bem. Então vamos…
V: E é por isso mesmo que ainda ontem tive o melhor e mais relaxante sexo com o meu namorado.
P: Ok… Ok… Isso leva-nos a quarta razão. Imagina que o teu namorado esta neste exacto momento em casa de uma amiga dele e ela se oferece para fazer amor com ele. Eu te garanto que ele não recusará por isso como bom amigo eu me ofereço para te ajudar a vingares-te do teu namorado?
V: Bem… Meu namorado ainda não é casado comigo. Ainda não juramos fidelidade no altar. Do mesmo jeito que eu poderia fazer amor contigo se me sentisse interessada, ele talvez, talvez pode estar a fazer amor com alguém que tenha aparecido na vida dele. Mas o que nós temos é especial, as vezes ficamos longe mas sempre voltamos porque fomos feitos um para o outro, portanto mesmo que ele agora esteja a fazer amor com alguém, o que eu acho que não está, eu não preciso de fazer amor contigo para me vingar.
P: Ok. Quinta razão. Tendo em conta que tu gostas muito do teu namorado e que tu gostarias de lhe agradar na cama para que ele não vá atrás de outras mulheres, eu me ofereço como bom amigo que sou, para tu praticares todas as posições, beijos e carinhos que quiseres comigo. Eu só vou ficar deitado na cama e tu vais fazer comigo o que quiseres ou vais me dar ordens e eu vou obedecer exactamente como tu ordenares.
V: Eu gosto de improvisar.
P: A prática faz a perfeição.
V: Eu e ele gostamos de improvisar.
P: Sexta razão. Ok, suponhamos que daqui a alguns meses eu fique extremamente famoso, tipo, extremamente famoso, tu sabes que eu canto e gosto muito de actuar, pode ser que eu venha a ser a próximo rei do pop, ou que eu venha a ser o próximo Tom Cruise ou Brad Pitt, que eu apareça em todas as revistas e em todos programas de TV, tu realmente queres ser a moça que vai estar em casa rodeada de filhos e que vê-me na televisão e diz se eu tivesse querido eu teria tido aquele tipo, em vez de dizeres puuxas, aquele gajo foi todo meu.
V: Nunca fui atrás da fama de ninguém e acho que a única coisa que deve aproximar duas pessoas é o amor que sentem uma pela outra. Se tu ficares famoso eu vou ficar muito feliz por ti, e mesmo que nós fizessemos amor agora, eu nunca iria me gabar as pessoas de ter feito amor contigo, isso é muito baixo.
P: Sétima razão. Sete é um número religioso… Deus disse, ide e multiplicai-vos. Não achas que deveriamos obedecer ao mandamento de Deus.
V: Eu obedecerei com o meu namorado.
P: Deus não especificou.
V: Se queres falar da bíblia aqui vai uma: Não cobiçarás a mulher do próximo.
P: Oitava. Tu defendes a igualdade entre o homem e a mulher?
V: Claro.
P: Achas que os dois são iguais e tem direitos iguais.
V: Além da diferença dos sexos e da mulher ser capaz de trazer um novo ser humano ao mundo, não vejo diferença.
P: Ora, sendo assim, a única forma de provarmos que tu estás certa era tu fazeres amor comigo, porque eu te garanto que qualquer homem que visse uma gostosa como tu iria querer comê-la.
V: O teu raciocínio está correcto…
P: Finalmente.
V: Mas a conclusão é falsa. Vamos supor que eu sou um homem e tu és uma mulher e eu estou aqui a olhar para ti mas não te acho gostosa, simples, isso justifica que eu não queira ter qualquer relação contigo.
P: Nesse caso eu sou feio.
V: Exacto.
P: Mas olha para mim, esta beleza de um deus grego, estes meus abdominais que me custam 3 dias por semana no ginásio.
V: Os gostos não se descutem.
P: Nona razão. Bem, já foram tantas razões e tão boas que eu acho que uma delas te conveceu só que tu por orgulho não queres admitir. Então nona razão porque a teimosia e o orgulho podem nos fazer perder muita coisa boa na vida.
V: Não me convenceste nem um pouquinho. Não estou interessada, e não sou orgulhosa, nem teimosa.
P: O.k, o.k, última razão, portanto a décima: faz amor comigo por caridade. Estou de joelhos, sê caridosa, tenha piedade, faz amor comigo. Deixa-me beijar os teus pés. (Paulo começa a beijar os pés de Vera, está afasta-o com a ponta do pé)
V: Não faço caridade com o meu corpo. Existem mulheres próprias para isso e nesses casos nem se chama caridade.
P: O teu namorado já te beijou dos pés a cabeça?
V: Ele já deitou mel no meu corpo e chupou devagarinho, da minha cabeça aos meus pés.
P: Eu posso te dar uma hora inteira de preliminares.
V: Nós as vezes ficamos toda a tarde só nos preliminares. É tão bom, fico excitada só de lembrar.
P: O.k, desisto. Pelo menos tentei.
V: O vosso problema é esse, querem sempre tentar. Tu viste-me várias vezes com o meu namorado.
P: É que tu és tão boa.
V: E tu achas que o meu namorado não consegue ver isso. Ou achas que como sou boa tenho que me deitar com toda a gente.
P: Enfim, tens razão. O tipo é um gajo de sorte.
V: Os dois somos sortudos.
P: O.k, vamos, vou te acompanhar até lá fora.
V: Vamos.





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Stélio Inácio
Peça Teatral em Um Acto
2010


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